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By Ferramentas Blog

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

236- JOSÉ CORREIA PICANÇO

236- JOSÉ CORREIA PICANÇO
JOSÉ CORREIA PICANÇO
(BARÃO DE GOIANA)
*
Nasceu em Goiana, Pernambuco, a 10 de novembro de 1745.
Fez os estudos iniciais na cidade de Recife. Dedicou-se ao ofício de barbeiro e o Governador de Pernambujco nomeou-o, em 1766, cirurgião do corpo avulso de oficiais de ordenanças  e  reformados.
Pouco depois, aspirando estudar em centros mais adiantados, transferiu-se para Lisboa, onde se matriculou na Escola Cirúrgica do Hospital de Todos os Santos, onde estudou com o barbeiro Manoel Constâncio, o mais famoso cirurgião da  época.
Obtido o grau de licenciado em cirurgia, mudou-se para Paris, onde estudou em grandes Serviços Cirúrgicos.
Em 1768, obteve o diploma de “officier de santé” , frequentou as Escolas Médicas de Montpellier e Pádua.  Em seguida, regressou para Lisboa e deu início a sua clínica.
Naquela época, os brasileiros ocupavam posição de grande destaque nos meios intelectuais da corte portuguesa, destacando-se, dentre os médicos, Francisco de Melo Franco, Alexandre Rodrigues Ferreira e Vicente Coelho Seabra da Silva Teles.
Em 1772, o Marquês de Pombal nomeou  José Correa Picanço  Professor de Anatomia da Universidade de Coimbra.
Face a sua situação de “officier de santé”, Picanço resolveu regressar a Paris, a fim de obter o título de doutor.
Após defender tese perante a Congregação da Faculdade de Medicina de Paris, regressou para Coimbra e deu início a uma brilhante carreira de professor.
Em 1789, além de doutor em Medicina e professor de Anatomia, Operações Cirúrgicas e Obstetrícia da Universidade de Coimbra, Picanço era membro da Academia Real de Lisboa. Famoso como professor, iniciou, em Portugal, o ensino da Anatomia sobre o cadáver humano.
Durante onze anos Picanço exerceu, com raro brilhantismo, o cargo de professor de Anatomia, sendo jubilado em 28 de junho de 1790, com 45 anos de idade.
Logo depois foi nomeado cirurgião-mór da Real Câmara e como tal acompanhou o Príncipe Regente D. João VI, por ocasião da trasmigração da família real para o Brasil.
Graças a sua influência junto ao Príncipe Regente, foi criada, em 18 de fevereiro de 1808, a Escola de Cirurgia da Bahia.
Depois, instalado no Rio de Janeiro, ali permaneceu clinicando e socorrendo os mais necessitados.
Em 1812, publicou “Ensaio sobre o perigo das sepulturas nas cidades”
Em 1816, renunciou ao cargo de cirurgião-mór da Real Câmara e D. João VI concedeu-lhe  pensão vitalícia.
Em 1819, presidiu o parto de d. Leopoldina, por ocasião do nascimento de D. Maria da Glória.
Em 16 de março de 1821, foi agraciado com o título de Barão de Goiana, ao qual d. Pedro I acrescentou, dois anos depois, as honras de grandeza.
Além das honrarias referidas, José Correa Picanço foi Comendador da Ordem de Cristo, Cavalheiro e Comendador Honorário da Torre e Espada  e  Fidalgo da Casa Real, do Conselho de Sua Magestade.
José Correia Picanço faleceu em 28 de outubro de  1824 (ou 1826, segundo alguns historiadores),  no Rio de Janeiro.

FONTES BIBLIOGRÁFICAS:
1.       Gomes, Ordival – José Corrêa Picanço. Atualidades Terapêuticas. Número 5. Rio, 1966.
2.       DicionárioHistórico-Biográfico das Ciências da Saúde . Casa de Oswaldo Cruz. Disponível em http://www.dichistoriasaude.coc.fiocruz.br. Acesso em 23 de setembro de 2009.

APÊNDICE
“ALUNOS NAS MEMÓRIAS DA FACULDADE DE MEDICINA DA BAHIA” (I)
(Extraido de Souza e Azevedo, Eliane Elisa de – Memória Histórica (1996-2007). Feira de Santana, 2008).
JOSÉ CORREIA PICANÇO
“ O registro anual da Memória da Faculdade de Medicina da Bahia, iniciado em 1854, ainda que esteja, necessariamente, entrelaçado à vida acadêmica dos alunos, a referência a estes vem ocorrendo de forma dispersa sem enfoque específico ao alunado.
No entendimento de que as instituições de ensino existem em função dos alunos e na convicção de sem suas presenças sequer haveria história a relatar, a presente Memória amplia suas atribuições e dedica-se à construção de um capítulo dedicado aos alunos. Ainda que a delegação da Congregação (Of. FAMED n.099/05) esteja direcionada à memória dos anos 1996-2007, a busca específica sobre fatos relacionados aos alunos deu-se ao longo dos cerca de 200 anos de existência da FAMEB.
Na ausência de tópicos direcionados aos estudantes buscou-se identificar relatos e referências, diretas e indiretamente ligados a eles, tanto de forma individual como coletiva, pinçados ao longo das linhas e da entrelinhas dos preciosos documentos que constituem as Memórias Históricas da Faculdade de Medicina da Bahia.
Além do acervo de Memórias Históricas, outras fontes de informação sobre os alunos da Faculdade de Medicina da Bahia foram averiguadas: documentos históricos, livros, entrevistas com ex-alunos e com membros atuais do Diretório Acadêmico (DAMED).
Dentre as leituras, retomamos escritos de Afrânio Peixoto. Devotamos-lhe admiração especial pela originalidade de sua sabedoria. Afrânio Peixoto não pensava imitando; descobria pensando. Com olhar independente conseguia perceber impregnações culturais cuja herança deveríamos descartar. Em sua Oração aos Doutorandos de 1942, na Faculdade Nacional de Medicina, ao condenar terem os brasileiros imitado a Faculdade de Medicina de Paris, apontou-nos a tradição cultural francesa como explicação para a ausência de alunos nas Memórias da Faculdade de Medicina da Bahia:

                                                   “Paris tem uma faculdade de medicina
                                   que não se deveria imitar... Porque é feita para mestre
                                                                                                   e não para alunos...
                                      Criam-se ai cadeiras para as notabilidades de França”.
                                                                             
                                                                             Afrânio Peixoto
                                                                               “ DESPEDIDA
                                                                   Rio de Janeiro, 1942
                                  (Pulicação feita por Alunos e Colegas)”.
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